sexta-feira, 28 de maio de 2010

Eu etiqueta






Em minha calça está grudado um nome

Que não é meu de batismo ou de cartório

Um nome... estranho.

Meu blusão traz lembrete de bebida

Que jamais pus na boca, nessa vida,

Em minha camiseta, a marca de cigarro

Que não fumo, até hoje não fumei.

Minhas meias falam de produtos

Que nunca experimentei

Mas são comunicados a meus pés.

Meu tênis é proclama colorido

De alguma coisa não provada

Por este provador de longa idade.

Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,

Minha gravata e cinto e escova e pente,

Meu copo, minha xícara,

Minha toalha de banho e sabonete,

Meu isso, meu aquilo.

Desde a cabeça ao bico dos sapatos,

São mensagens,

Letras falantes,

Gritos visuais,

Ordens de uso, abuso, reincidências.

Costume, hábito, permência,

Indispensabilidade,

E fazem de mim homem-anúncio itinerante,

Escravo da matéria anunciada.

Estou, estou na moda.

É duro andar na moda, ainda que a moda

Seja negar minha identidade,

Trocá-la por mil, açambarcando

Todas as marcas registradas,

Todos os logotipos do mercado.

Com que inocência demito-me de ser

Eu que antes era e me sabia

Tão diverso de outros, tão mim mesmo,

Ser pensante sentinte e solitário

Com outros seres diversos e conscientes

De sua humana, invencível condição.

Agora sou anúncio

Ora vulgar ora bizarro.

Em língua nacional ou em qualquer língua

(Qualquer principalmente.)

E nisto me comparo, tiro glória

De minha anulação.

Não sou - vê lá - anúncio contratado.

Eu é que mimosamente pago

Para anunciar, para vender

Em bares festas praias pérgulas piscinas,

E bem à vista exibo esta etiqueta

Global no corpo que desiste

De ser veste e sandália de uma essência

Tão viva, independente,

Que moda ou suborno algum a compromete.

Onde terei jogado fora

Meu gosto e capacidade de escolher,

Minhas idiossincrasias tão pessoais,

Tão minhas que no rosto se espelhavam

E cada gesto, cada olhar

Cada vinco da roupa

Sou gravado de forma universal,

Saio da estamparia, não de casa,

Da vitrine me tiram, recolocam,

Objeto pulsante mas objeto

Que se oferece como signo dos outros

Objetos estáticos, tarifados.

Por me ostentar assim, tão orgulhoso

De ser não eu, mas artigo industrial,

Peço que meu nome retifiquem.

Já não me convém o título de homem.

Meu nome novo é Coisa.

Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade.

Bobagens, que fazem parte




Idealize a vida,
viva constantemente fortes emoções,
beije um beijo molhado de arrancar o folêgo,
dance desengonçado,
fale merda,
ria das piadas,
e encontre razões sempre para viver...
com pouco ou muito dinheiro, ser for com pouco
compre uma cerveja bem gelada e deguste seu sabor
e se for com muito,
me chame para uma festinha num cruzeiro, tomando varias cervejinhas...

terça-feira, 25 de maio de 2010

E que o amor..sempre venha vencer o mal
e que as rosas deixadas no caminho ...
sirva, tão de construção de um novo momento como pra tornar o caminho mais
enfeitado...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Presente/Futuro





Algumas dúvidas percorrem aqui dentro de mim.
São mil fatores que me levam a não persistir a fazer uma tatuagem.
Que vão desde social, como religiosa. E logo vem a pessoal.
Porque fazer uma pintura no corpo, que irá se estender por um longo tempo, tem que ser vista e revista, não é simples assim, acredito que necessita de maturidade, atitude e mais...
Essa mandala ao lado, é linda e possui um belo significado.
Se um dia, tiver coragem suficiente farei ela...ou então desistirei...isso é uma dúvida constante. Rs*
Ela me atrai...futuramente quem sabe, num estarei aqui postando ela grudada em mim
ou postando, um texto dizendo que desisti e explicando os motivos... A vida é engraça, ela te dá
várias diretrizes, e você vai fazendo escolhas a cada minuto... Como dizia o filosófo: "Estamos condenados a liberdade" ( Santre). Essa liberdade são as escolhas...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vamos romper com os muros das diferenças, e olhar as diferenças como arte que a vida nos proporcionou de lindo e místico, e ver no outro o eu talvez escondido ou não... que no final somos todos iguais, constituidos da mesma composição quimica orgânica.

Queria Que Você Estivesse Aqui

Então,
Então você acha que consegue distinguir


O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?
Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui



Composição: David Gilmour / Roger Waters
Pink floyd.
tradução da letra wish you were here.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Definitivo.

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Sofremos por quê? Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções
irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado
do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter
tido junto e não tivemos,por todos os shows e livros e silêncios que
gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas
as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um
amigo, para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os
momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas
angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma
pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez
companhia por um tempo razoável,um tempo feliz.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um
verso:

Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento,perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional...
Carlos Drumond de Andrade

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Etta James - Sugar on the floor

Ela é ótima...
é maravilhosa...
A música, é gostosa...Amo!